Muitos têm escrito sobre a guerra do ultramar, muitos dão o seu testemunho de flagelos e outras vivências difíceis que deixaram muitas marcas físicas e psicológicas que se prolongaram até aos dias de hoje.
No entanto houve naturalmente um outro lado da guerra, aquele que permitiu a vivência e o contacto humano com um povo extremamente carenciado em todos os aspectos e muito diferente de nós nos seus hábitos e costumes, mas muito afável e com um eterno sentido de gratidão e amizade.
Malan Correia é um natural da Guiné-Bissau e fez parte do contingente da C CAÇ16, no período compreendido entre 1972 e 1974, coincidindo com a minha presença naquele aquartelamento.
Foi um elemento que desde logo se distinguiu dos restantes militares africanos pela sua personalidade, evidenciada variadíssimas vezes nas mais diversas situações.
Era um perfeito apaziguador das divergências entre elementos da companhia que ouvindo os seus conselhos o respeitavam.
Como operacional foi sempre preponderante no grupo, pois as suas decisões ou sugestões revelaram-se sempre de extraordinária importância e poderei mesmo afirmar que muitos de nós devido às suas atitudes lhe devemos a vida.
Esta sua forma de agir, valeu-lhe uma promoção atribuída pessoalmente pelo então General António Spínola em 24de Junho de 1973, precisamente no dia do meu vigésimo terceiro aniversário e no mesmo dia em que sofremos um forte ataque ao quartel.
No entanto houve naturalmente um outro lado da guerra, aquele que permitiu a vivência e o contacto humano com um povo extremamente carenciado em todos os aspectos e muito diferente de nós nos seus hábitos e costumes, mas muito afável e com um eterno sentido de gratidão e amizade.
Malan Correia é um natural da Guiné-Bissau e fez parte do contingente da C CAÇ16, no período compreendido entre 1972 e 1974, coincidindo com a minha presença naquele aquartelamento.
Foi um elemento que desde logo se distinguiu dos restantes militares africanos pela sua personalidade, evidenciada variadíssimas vezes nas mais diversas situações.
Era um perfeito apaziguador das divergências entre elementos da companhia que ouvindo os seus conselhos o respeitavam.
Como operacional foi sempre preponderante no grupo, pois as suas decisões ou sugestões revelaram-se sempre de extraordinária importância e poderei mesmo afirmar que muitos de nós devido às suas atitudes lhe devemos a vida.
Esta sua forma de agir, valeu-lhe uma promoção atribuída pessoalmente pelo então General António Spínola em 24de Junho de 1973, precisamente no dia do meu vigésimo terceiro aniversário e no mesmo dia em que sofremos um forte ataque ao quartel.
Decorridos trinta e sete anos sobre o meu regresso, tive recentemente o privilégio de o voltar a encontrar, na sequência de um problema de saúde que não podia ser resolvido na sua terra e que o obrigou a pedir ajuda ao nosso ex comandante de companhia Major General Abílio Dias Afonso que com a sua influência e a colaboração de outros elementos e entidades que lhe conseguiram proporcionar a adequada intervenção clínica.
Reencontramo-nos no passado mês de Abril, a convite do General Abílio Dias Afonso e do ex camarada Miranda, num almoço que decorreu nos arredores de Lisboa e que serviu para recordar momentos e emoções vividas passados que estão todos estes anos.
Descreveu-nos igualmente a situação difícil porque passou juntamente com a respectiva família após a independência, uma situação comum a todos os guineenses que serviram o exército português.
O mundo é pequeno e ainda mais recentemente durante o meu internamento num hospital em Lisboa, encontrei outro filho da Guiné e do chão Manjaco, precisamente da região de Teixeira Pinto (Canchungo) e que na altura devia ter dez anos, muito provavelmente um dos putos com quem partilhei alguns momentos de descontracção.
Conversámos durante muitas horas e ambos recordámos os lugares e algumas situações decorrentes daquela época.
Hoje e devido à situação do seu país, vive em Cabo Verde na Ilha de S. Vicente onde exerce a profissão de electricista.
Não vou perder o contacto com estes amigos e continuarei a tentar encontrar outros que eventualmente andam por aí dispersos e desta forma quero dar continuidade ao apreço que tenho pelo povo da Guiné, que pelos relatos que me vão chegando, continuam a ter uma enorme gratidão para com os portugueses.




